Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro


Venha até São Paulo...

A segunda oficina regional da Olimpíada 2012 será em São Paulo (SP), entre 12 e 14/11. Saiba mais da cidade que vai receber os semifinalistas do gênero Memórias Literárias.

 
Conheça as escolas que tiveram textos selecionados na etapa municipal

Saíram as listas com os nomes da escolas que tiveram textos selecionados na etapa municipal, em cada categoria. Saiba quais foram os resultados em todos os estados do Brasil.

 

 
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INÉDITOS, INEXATOS (1)

2904_gil_gdeUMA INTRODUÇÃO MERECIDA

De repente, o Tempo. Me dei conta de que havia escrito mais de 100 textos. Não seria motivo para comemorar? Seria sim. Uma roseira que floresce plena? Algo do tipo de milésimo gol de Pelé? Um alfabeto que procria? Soube claro de alegria. De importância íntima e valorosa. Isso sei.

O que fiz? Dos textos postados mais: mil ideias... Inspirei-me em mim mesmo. Melhor: em nossos diálogos miúdos e pungentes, tão potentes em pedagogia e poesia. Desde 2007 bordando as primeiras palavras nesse gigantescamente virtual... Fui rememorando os textos, eles que são os encontros. Deles uma ideia, uma frase, um fragmento. O memorial. De novo arranjo, fui tecendo textos de novo feitio. Por trás, nossa história na Comunidade Virtual.

Com intento de agradecimento, brinco em cândido patrimônio: nossas palavras. Brindo a elas com vocês. E aos nossos futuros encantamentos.

Como aventureiro de boas paragens revisito palavras semeadas na tela da nossa Comunidade. Fui relendo, me repaginando. Novas surpresas. As lembranças. Passagens, trechos, brechas... Por elas me reencontrei. Reencantado em fogos comemorativos fui abraçando algumas delas. Respirei-as em hálito inventivo. E as trouxe para este presente. Virariam textos renovados. Linha dágua de tantos olhares leitores. Resultados: alguns textos renascidos dos mais de cem já postados. No milagre das palavras que bailam entrego uma temporada comemorativa: estes INÉDITOS INEXATOS.

(Voltei o filme, lembrei-me dos primórdios. Lelê, Helô, Roselene: encorajadoras valentes. Agora, do “pessoal todo”: Regina, Bianca, Jéssica, Nat, Luiz, que tecem amorosamente este nosso convívio com palavras de bem comum).

Boas leituras!

Revivam os cem textos em mais. Com um jeito de permanecer agradecido por haver a presença de cada um de vocês. Passam, namoram de leitor e deixam a indelével marca educadora.

Gil.

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1.    UM MENINO QUE ESCREVERIA MAIS DE CEM TEXTOS.

Antonio Gil Neto

“Eu vivo sob um poder/que às vezes está no sonho,/ no som de certas palavras agrupadas,/ em coisas que dentro de mim / refulgem como ouro:” (Adélia Prado)

(Teria encontro de encantamentos. E escreveu mais de 100 deles. Num toldo de realidades e fantasias os textos se teciam em cenário iluminado por palavras. E haveria 101, 1001 tramas. Esse infinito a escrever...)

Menino de interior não haveria de nascer para inaugurar letras em papel. As palavras foram se achegando, aconchegando-se vento bom, promessa de alegria pródiga. Aos poucos farturou-se de vida que multiplicaria pontes. Em milagre de engenho: as palavras. Semeariam mundos novos. Possíveis de esperança. De ofício.

“Às vezes me ponho a lembrar, a sonhar acordado no metrô, nas viagens de ônibus, nos intermezzos das leituras, no olhar à toa pela janela em tardes com chuva querendo vir...”

O Tempo, os tempos. Com seus preciosos parênteses no infinito surpreende em encontros. Revigora minúcias do passado, não se sabe de mais íntimo. Aderentes e ardentes, as verdades intactas. As memórias, de escondido tesouro.

Poderia ser tradutor das brechas onde brilham fantasias. Tramas para saber. Poderia ser indicador de sonhos e descobertas. Pontos de luz, arco-íris e pão. Um encorajador, um silêncio do futuro que se faz a cada pedaço e alento. A cada gesto e olhar. Poderia ser um amante das esperanças, de amanhãs, dos desejos mais sutis. Mas, camaleão moderno, se esquiva e se inteira em gramáticas do criar.

“Uma espécie de atordoamento me faz repensar estas coisas que aqui digo, aberto ao tempo e ao espaço. Vou buscando as lentes para me aliviar.”

Descobriu maneira simples e pessoal: decifrar, experimentar as múltiplas de palavras. Esses objetos brincantes que brilham possibilidades. E agora, as suas palavras: quais reluzem no agora? Quais lhe dão lampejos? Que outras se quer para este tempo, léguas de distante quase esquecido?

Eis as palavras, vivas de arfar. As inesperadas, as que estão à espreita, as que saltam da memória para enfeitar. E esse falar de infâncias? Conte, nem que for um pedacinho! Gostou? Você agora é seu personagem de convívio com as raízes. Quais palavras lhe veste em bordados do tempo? Que fascínios guarda em pedras coloridas?

Sempre sobra um acalanto para o inesperado. O inesperado é da bagagem do educador que somos. Nestas trilhas, nosso coração é inquieto de saber mais.

Desenha deslumbramentos, diz do fazer, da lida com palavras. E gentes. E o desfiar em poesias, novas manhãs, cantares. Abrir as janelas, arquitetar alicerces para sonhos. Mais o mistério do que é homem. A vislumbrar, a criar. Existências se escrevem, as próprias vidas. E, pois, a palavra escrita. Projetada. Para fora de grito lépido silencia: íntimo pensar que se corporifica em outros. Redigir: desfigurar palavras? Para isso as páginas, os capítulos, as telas iluminando-se a toques múltiplos. Poder de encantamentos entre.

Por conta de ingênua curiosidade, inventei histórias  que nasciam não das letras indecifráveis, mas dos desenhos que as enfeitavam. Agora trago as palavras, histórias vivas da memória de cada um que há.”

O exercício da curiosidade: nítido aprender. E a extrema importância: abrir o livro, a decifrar. Fazê-lo existir. Eis a explosão que cumpre em destino. Na leitura, a fagulha do existir. Os diálogos pairam no ar, sem mistérios, nuvens convidativas. E o inefável pousa em campo de delicadas cores. As descobertas: breve milagre.

Os textos se alinhavam em generosidades. Num lugar imaginado e inimaginável o Inesperado por se deslumbrar. Essas palavras forjadas iluminarão rincões de mar e sol. Paragens. E tantas rosas-dos-ventos. Vereda dos que amam a língua portuguesa.

Uma perguntas ribomba: que lugar é esse onde escolhemos permanecer? Ponto de espera,  nascente, minas e olhos d’água fecundando a travessia de fios aos ventos? Afetos que geram trapézios com rede que acolhem abraços almejados e tramados às margens da alegria? Ficam rastros e a pele do futuro. Um veio amoroso, à espreita das correntezas e das querências, modificando a imensidão do campo de sonhos. À terceira margem estarão alertas, pulsantes. Eis palavras por encantar.

No inventário sobre a mesa, na tela, o vasculhar da espera e do inesperado. Um sol de inverno convidando para algo mais. Abrir frestas ao novo, acolher começos e louvar mudanças. Aventurar-se em trabalho poético. Aventurar esse espaço, o virtual que carrega as artimanhas do mundo: as páginas dos livros. Perambular. Viajar por algo novo escondido em minha bagagem. Sustentador, levar poemas e estabelecer pontes ao fazer de poesia. Plenamente conectados: trabalho e credo, se entrasse em cidade de poemas. Um espanto bom. Um livre e inteiro dispor.

“Por quantas luas fico em tempo de brincadeira feliz? Pensei alto. Educador que se preze, acredita. Tu és como o tom que musica. Perceberão o verbo musicar? Imagine o que pode gerar isto naquele começo...”

Lá fora o céu se avermelha. E tudo recomeça. Jogo destinado a espectadores viventes, anônimos que perdem em barcos, em viagem. Orgulhosos atores de singelas representações. O que foi narrado em Javé guardo agorinha: “Uma coisa é coisa acontecida. Outra é coisa escrita. O escrito melhora o acontecido.” Biá nos fala das palavras do escritor amalgamando a realidade em ficção.

Nas entrelinhas, significância e beleza. Mais ainda. Tentamos salvar o que somos frente ao que nos é valoroso.

 
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