Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro

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Blog do Gil

Antonio Gil Neto

 

No bosque ainda amoroso, clareira de fogo e vento.  Ele, on the road, prossegue seu percurso em poeira azulada. Ela, ali.


No terceiro movimento, quase melodia de seda, a cascata de fios elétricos aproximam-se do nada. Achegam-se sem perguntas. Sem respostas.


Entendem-se como se o coração em fogaréus fosse única hospedaria nesse bosque de paixões. Entrelaçam-se: mãos viram boias de luz. No reggae do aconchego, a felicidade imediata. Os pássaros que moram nas ramas da clareira migram para o vermelho mais profundo das madrugadas.

 

O ciclo da amorosidade frutifica-se, farto. Exala sementes, licor. As abelhas ficarão tontas de tanto mel e labaredas.

 

De essência, novo envolvimento abraça a terceira graça.

 

Zunem os corações. Destina-se o que chega sorrateiro em campo fértil. Não há sim e não nesse disparo. Só o existir, o arfar azul de mansidão. Nem haverá talvez.

(Uma segunda normal).

Garoa. E uma sinfonia de asas e silêncio a amadurecer as frutas que se abrem ao vento. As cortinas dos céus, canções azulescentes. A terceira ventura, predestinada, é arranjo sorrateiro.

 

Acomodam-se em cantigas dedilhadas à luz de velas. Uma espera, um ensaio, um lançar de dardos. A mulher menina sabe-se febril. Nada sabia do que viria. Só o conforto, o caloroso, um bálsamo.

 

Bolas de fogo inundam a areia e o azul marinho.

 

Abrem-se comportas para reluzir o avesso da indiferença. Movem-se corpos como escarcéus. Repicam em sol e friezas. Brilham no calor da entrega, essa catedral de areia. Há o indagar em ebulição. Os relógios desafinam: um jeito de suspender o ilusório. Balão incandescente não é astro. (Mas o chegado se exime e se arma).

 

O terceiro ato aquece o desassossego.

 

A vida em cascatas e melodias de seda bordadas inaugura-se em paciente solidão e mágoa. Coruscada de azuizinhos, folículos de fogo, trata seu feminino com as bandagens da dor. Vislumbra sofreguidão e o que compreenderá. (Veremos iluminação e o alvoroço dos insetos?)

 

 

 

 

 


 

 

Antonio Gil Neto

 

 

Idílios ganham canteiros no bosque amoroso.

 

Ele, em trilhas já azeitadas, incendeia mais um tom em vermelho. Ela, a segunda graça, em  rosáceas de mel e delicadezas. Entorpecida, seu véu é farfalhar que incendeia sua segunda pele. Inventa-se em novo olhar. Ecoa no perfume azul. (Moto contínuo).

 

Pois a temporada de aprendizagens amorosas modula-se. Zunido de flores destiladas em doçura e faíscas.

 

De viés, o timbre soul de rebelde coração aninha-se nessa Maria em sentimentos e afago. (A tríade vai se destinando ao outono e ao seu amadurecer). Néctar em campo fértil para se tornar víveres, alimento de alma e surpresas.

 

Tudo prossegue em fluxos a transparência azul, a diáfana sedução em promessas e gestos.

 

(Um feriado).

 

Uma mesa farta, uma paisagem em aberto para desatentos e vigilantes.  Laranjas maduras, tomates avermelhando-se, especiarias em louça branca.  Um buquê de hortelã grita na caneca de cobre. (Um gato sobe na mesa a lamber as patas).

 

O segundo  encontro: uma enunciação, um jogo de aromas. Ele sentara-se à mesa a vasculhar líquidos e texturas. Invadia impulsivamente os cantos miúdos das gavetas, dos armários e guardados. Nada pedia, exigia. Só o florear das armadilhas e aromas visitando penumbras e apetites. (Uma receita em experiências).

 

Instaura-se aguda fome, inaugura-se um macerar estonteante entre abraços. Os aromas  bailam. Debulham-se em encontros rápidos. Na iguaria, o barco segue o sulco do mar, ametista. E a catedral de sonhos, talvez. No calor  da tarde entrega e drama. Os doces sabores aguardam amargura, indagações. Ácidos escondidos. Os relógios são abandonados. Um jeito de arranhar-se e ao imaginado. (Mas o exímio alquimista ainda se colocará à prova.)

 

O segundo lance promove desarranjos.

 

A vida em bordados de florinhas miúdas torna-se labirintos de esperança. Embriagada de azuis, com o coração tocado regala-se em invencionices. Assustada, pendura existires em céus de veludo. (Haverá de persistir? Ficará em carrossel de cavalinhos azuis?)

 

 

 

Antonio Gil Neto

 

3.

 

No bosque em idílios brotam amores breves, atormentados. Ele, lobo caçador em caminhos de rios, florestas, cerrados. Elas, em revestidos vermelhos. Flora inventada na segunda pele. Suas ideias gritarão num borboletear-se contínuo.

 

Eis a temporada de aprendizagens amorosas. (Flores sangram).

 

De soslaio, por fora, o anjo de vagabundo coração mira suas venturas. As imaculadas Marias serão acolhidas. Chuva ou sol. (Bolas de algodão em campo fértil para virarem fios, tecidos, peças).

 

As meninas nadam em transparências, em sedução. O azul, a cortina dos diálogos, faz promessas,  planos. Os computadores viram armas, sempre ligados, arquivando janelas, desbravando incógnitas nuvens para nascerem outras. (Não haveria livros, chave, manual, suporte). Tudo poderia se esgotar num único ato. Vívido.

 

(Um domingo)

 

O primeiro embate, o encontro: um bailado. Ele sentara-se ao piano, maduro, incrédulo de possíveis notas. Arranjos florais, floreados. (Uma delicada sonata dedilhada em armadilhas). Vinagram, desencadeiam o fremente, grudam como ametista em broche de ilusão. As notas viajam. Devolvem a ambos os reencontros, bocas e corpos festivos. Na mescla, um barco em busca de mares, a catedral de sonhos. (Algo de delicada tentação). Na clareza da lua se desenham delícias e drama. As notas perscrutam silêncios, choro. Os relógios param. Um jeito de devolver ao sentir o imaginado. (Mas o pianista ainda se colocará à prova).

 

O primeiro lance provoca assim desarranjos. A vida de rainha em laços risonhos ao fosso da dor. Desarmada, com o coração tocado, entrega-se à solidão. Nega-se a existir, assustada. (Haverá de resistir? Ficará na masmorra de vidros azuis?).

 


 

Antonio Gil Neto

 

(Chegara a hora de um tridente. Lâminas num coração cego por estratégias felizes).

 

O  rapaz azul no olhar leva a vida em preto e branco, retilínea. Esquisito esbarrar em paredes e objetos coloridos. (Imagens de ilusão?). Navega em furta cor. Salva-se em melodias, num vagar de nuvens, na textura das peras que se espalham aos chãos, essas bocas maduras em colheita de desejos. (Breves marés de alegrias).

 

O visitante nunca vai para a cama cedo. Por isso um sempre bocejar, burburinhos da madrugada. O tempo, uma estrada estendida para o que vier. (Notas que mesclam-se e flutuam). O melhor era seguir-se. Logo saberia que para as três graças, dobras e camadas poderiam costurar o  tempo num manto de sonhos. (Notas que se esvanecem e viram outros tecidos).

 

Mas o tempo (imperioso) fia, enreda desconhecidos. Sorrateiramente os amalgamam: bailarinos em compassos desaprendidos. (Vinga-se alguma força para voltar a sonhar?). O feminino que exala, cria. Espaira entrega. O masculino que se espelha, trama. Abre-se em jogos. Autodidatas, iniciam-se em atmosfera de corpos e cenas. (Os céus esbravejam falsos paraísos).

 

As garotas Penélopes, sonhadoras de caráter e conduta, lançar-se-ão em fios amorosos, aos intentos do mistério. Não se sabem em pleno palco. Mas, não se voa no bosque do idílio. (Apenas o selvagem dos corações). Rasteja-se. E à espreita, o bote. (As asas de fiar vão para o lixo?).

 

Aquietam-se os véus, as grinaldas de improvável regresso. (E a longa experiência da escolha). Lançarão mão de todos os artifícios para alcançar o esperançoso. (Pois o tecido amoroso nunca se acaba por tecer).

 

O pretendido viera do longe. Sem bagagens maiores, sem flores, easy rider. Do nada. Mora perto do próprio caminhar. No apego, respiro nutriente. Som e perfumes. Por gostar de coisas simples traz mania de arranjar pedras, conchas, galhos e folhas secas sugerindo novos mundos a olhos nus. A beleza reconquistada, o transitório recolhido da impertinência. (E despertar de inconsciente desejo). Mas, há belezas na imperfeição.

 

Abriram-se em afeições logo de cara. (Sementes do destino feroz germinam ciclos do efêmero). Nos corredores da escola, nas ruas, nas praças, nas vertigens cada qual desenha seu bolero encantado, em acordes dissonantes.

 

As mãos das Marias quase meninas descansam-se dos longos preparativos. Do invisível. As cabeças, memórias de sabedorias, armazenam tramas. Ocupam-se dos ímpetos frios e secos. Modificam-se em alertas, evidenciam-se na preparação do desfazer. E deslizam-se na pele  florida da entrega. (Volúpia e espasmos).

 

Os risos viram arquiteturas de pertencer, possuir o imaginado. Encontrar o inexato. Ficarão em jogos de corpo, individuais, cíclicos. Em senhas particulares, nos lances de se chegar primeiro. (Nunca seremos perfeitos).

 

O cavalheiro, andarilho de bosques, o alvo. Sabido de dardos apaixonados, adepto da valorosa liberdade, guarda-se em frescor, em sossego de espera. (Supérfluo, artificial, determinado?). Tudo despeja de natural poder.

 

A beleza está lá, azulada. Recuperada de outras acontecidas. Deitada ao chão, como a pele das peras.

 


 

Antonio Gil Neto

1.

"Mas quem pode livrar-se porventura dos laços que o amor arma brandamente?" (Camões)

São elas três graças, damas suspensas no tempo de areia. Umas Marias dentre tantas que dançam, emaranhando céus e geografias. (Poderiam ser estrelas, pirâmides…Fagulhas?) Estavam em viveza. No fluido, exato. Imersas. Simples de quem percebe o maduro de maçãs, a precisão de um revoar  de pássaros. (E outros pormenores que se vão tramando, armazenado-se no tapete das últimas agonias). Não precisam de espelhos, nem carecem de rezas. Se inventam que só. (Precisariam de relógios ou vão pelos disparos do agora?)

 

No acontecer -  a seis mãos, a meia dúzia de pés inquietos - lúdica inocência. Inteligente, esperançosa. E o aventurar-se, dar cordas ao destino. (A dúvida? Do avesso.)

 

Já tinham de esboços meticulosos vestido amoroso de cada uma. Iguais, quase. Para diferenciar, detalhes. Nuanças da espera, dos fios enlaçados de cada qual. (De singulares). Ora, um laço risonho pendido mais para a esquerda; um bordado completo de florinhas miúdas na pala ou uma cascata de babados feito melodias de seda por entoar. Fora as grinaldas. (Prontos para a folgança de arquiteturas.)

 

Nem há espaço para algo de devassidão e luxúria. ( Ainda). Não há quiprocó ou conselho que desvie o trio de desígnio certeiro: o casamenteiro. (O hoje é provisório. Sem bússolas. Some a olhos de amor).

 

Feito oferendas, fases de luas,  se suportavam, se encantavam. Mesmo diapasão e tons. Irmãs, só dos delírios comuns. (Poderá haver o pacto na cegueira de sentimentos?)

 

Na quadrilha a sintaxe ia para o perfeito. Haveria correspondência de exatidões. "Fulana ama fulano. Beltrana ama Beltrano. Cicrana ama Cicrano". E vice versa. Rumo a algum feliz para sempre. (Quem sabe o fim de cada história? De um começo, mil desfechos ...)

 

Mas, elas - arredias, alheias - lustram seus castelos,  bordam grãos, drapeiam fantasias, recortando belezas, emoldurando sonhos brotados de palavras palpitadas. (Sei: com pequenas ilusões nem se brinca!) Mas eis que a vida serpenteia, rodeia e corisca, invade sorrateira os impensados e refaz dança e melodia, pula muros, zune em direção ao futuro que vira presente em si, no percurso. Em rumos passados.

 

Elas agora pisam nuvens. Tudo se mescla e explodirá. (Um prenúncio?) Nem notam de outros ciclos, outras Marias que vivem abruptas de pé no chão, ferindo-se em crudezas e dó. Vivem o néctar da graça. Da ventura. ( Ea entrega? Catedral de vidro em noites de verão.)

 

Elas se sabem envoltas de riso e luz. Crispam breves alegriazinhas. Vivem de pintar olhos e boca de atormentadas cores.  Nem sabem de outro enigma se instalando no jorro do inesperado. Ouvem latidos e o ciciar de cigarra. Cantam o que vem dos fios pendidos nos ouvidos. Mas não pressentem feitios, algum ziguezaguear de destino.

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Ele já está ali – por dissonante caminhos (secreto?) - protagonista da trama que não se conhece, mas já intensa. ( O que virá?) Um par de olhos agudos perscruta o zunido da areia, do vento.

 

 

 

Antonio Gil Neto

Uma década já se passou desde que Paraty sediou a primeira Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, tradicionalmente marcada por eventos ligados à literatura pela homenagem a escritores do nosso renomado cenário literário.

De 2003 até hoje a FLIP cresceu em números, prestígio e diversidade de eventos nos seus vários espaços. Consolidou-se. Neste ano - de 4 a 8 de junho - comemora os seus dez anos de existência. De belas realizações em prol da leitura e literatura.

Sabemos que a programação será rica, intensa, suas marcas. Que acontecerão debates com escritores como Javier Cercas, Stephen Greenblatt, Annalena McAfee e João Ubaldo Ribeiro. Novos nomes estarão em festa: o libanês Amin Maalouf, o colombiano Juan Gabriel Vásquez e o inglês Hanif Kureishi, um dos autores que já participaram da Flip e voltam para celebrar. Vencedora do Prêmio Pulitzer em 2011, Jennifer Egan estará pela primeira vez dividindo a mesa “Pelos olhos do outro” com o inglês Ian McEwan, que retorna  e lança seu novo romance.

Há outros destaques estrangeiros: o americano Jonathan Franzen, o francês J. M. Le Clézio, ganhador do Nobel de Literatura em 2008, e o poeta sírio Adonis. Também não faltarão brasileiros cativos e os que ainda não participaram da Flip: Rubens Figueiredo, Altair Martins, André de Leones, Carpinejar e João Anzanello Carrascoza.

Vale destacar que a "Casa da Cultura" um dos espaços onde questões da literatura serão discutidas abrigará uma variedade de formatos: leitura de livros, apresentação de filmes, peças teatrais e exposições.

Neste nosso encontro de todas as semanas é oportuno comentarmos sobre o importante evento. Igualmente importante é estarmos antenados. Melhor dizendo, saber de leitura e do que corre  pelo mundo que se liga ao nosso fazer profissional: o ensino da leitura, da literatura, matéria vital em Educação.  Talvez  merecesse maior espaço e importância em nossas escolas, em nossos cotidianos curriculares. Mas, isso poderá ser uma outra conversa…

Sabemos que não é todo mundo que irá de corpo, olhares e ouvidos presentes ao evento literário na ordem do dia. Muitos de nós ficamos viajando em palavras, sonhando talvez com leve esperança de numa próxima edição estarmos perambulando pelas ruas cambaleantes de Paraty, essa cidade que renasce em poesia e arte a cada início de julho.

Outro mote mais que importante para a nossa conversa emprestada  da FLIP é que neste ano o homenageado será um dos mais amados poetas do nosso país: o mineiro Carlos Drummond de Andrade. Talvez o mais lido, o mais conhecido, o que mais toca a nossa modernidade pairando na rosa dos ventos. Quem não reconhece um trecho de Drummond? É difícil não encontrarmos quem não tenha na memória afetiva um verso drummodiano! Você já buscou o seu? Agora?

Pois bem, vamos vislumbrando aqui e antecipadamente o que estará acontecendo por lá, nos céus de Paraty com tantos nomes, estrelas, lançamentos e sobretudo tantos amantes da literatura. Como serão os acontecimentos que darão luz merecedora a Drummond?

Conferindo a vasta programação sabemos: Luis Fernando Verissimo começará falando sobre o valor da literatura, razão de ser da festa. Silviano Santiago e Antonio Cicero farão conferência sobre Drummond, cujo nascimento completa 110 anos em outubro. Com leitura detalhada de um de seus poemas, Santiago e Cicero descrevem traços fundamentais da obra do homenageado.

Na Casa da Cultura acontecerá a apresentação da peça “Cartas de Maria Julieta e Carlos Drummond de Andrade”, de Sura Berditchevsky. Também se inaugura uma exposição: “Faces de Drummond - O Poeta do Avesso”. Fora o lançamento de livros. De Drummond está previsto um livro praticamente desconhecido, escrito na sua juventude e publicado artesanalmente: ”Os 25 Poemas da Triste Alegria”.

Que vontade de estar lá, não é? Talvez possamos aqui costurar em ideias e palavras a nossa mais que simples homenagem ao nosso admirável poeta imaginando livre do que poderá circular pelos painéis da FLIP. Nasce assim uma vontade firme de relembrar Drummond…

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"Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! ser gauche da vida." (Alguma Poesia)

"No deserto de Itabira a sombra de meu pai tomou-me pela mão"(Viagem na Família)

"E eu não sabia que minha história / era mais bonita que a de Robinson Crusoé." (Alguma Poesia)

"O eco, no caminho/ entre a cidade e a fazenda, / é no fundo de mim que me responde". (Boitempo)

"É talvez o menino/ suspenso na memória."(Rosa do Povo)

Relembrar Drummond…. Nascido em Itabira, Minas Gerais em 1902, fruto de uma família tradicional de fazendeiros. Os estudos em Belo Horizonte e Nova Friburgo de onde foi expulso por "insubordinação mental", pode? De novo, Belo Horizonte. Sem saber, começa a carreira de escritor no Diário de Minas. Sabido e cobrado, a insistência familiar para um diploma. Formado em farmácia em Ouro Preto funda com outros escritores A Revista de vida breve. Em 34, no serviço público, transfere-se para o Rio de Janeiro, sua morada. Na então capital, chefe de gabinete do ministro da Educação até 45. Depois trabalha no Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Aposenta-se em 62. Mas desde 54 foi cronista no Correio da Manhã e no Jornal do Brasil.

“É o hábito de sofrer, que tanto me diverte, / é doce herança Itabirana."(Sentimento do Mundo).

"Vai, Amorim, sê por mim/ o que jurei e não cumpro./ Fico apenas na moldura do quadro de formatura."(Boitempo).

"Espírito mineiro, circunspecto/ talvez , mas encerrando uma partícula de fogo embriagador,/(…) não me fujas do Rio de Janeiro,/ como a nuvem se afasta e ave se alonga,(…)" (A Vida Passada a Limpo)

Os primeiros livros: Alguma poesia (30) e Brejo das almas (34). A descontração sintática. O poeta domina a individualidade do autor. Há ordem, consolidação, fecundante e contraditória.  O passado pesa e o futuro assombra. O poeta mineiro se detém no seu presente transpassado pelo percurso dos homens. O poeta melancólico, cético. No revés, a ironia , o olhar fino para os costumes, a sociedade. Um sabor áspero. Um quê de amargo ou desencanto. E o requinte construtivo. O rigor, obsessivo? O poeta trabalha com o tempo. Nele resplandece em cotidiano, seu subjetivo transpostos para os Sentimento do mundo (40), José (42) e  A rosa do povo (45). Lança-se ao contemporâneo, à experiência coletiva. Solidariza-se, vislumbra na luta a explicitarão da mais íntima apreensão para com a vida.  Suas obras-primas. E a plena maturidade  poética.

"Eu preparo uma canção/que faça acordar os homens/ e adormecer as crianças." (Novos Poemas)

"E agora, José?/ sua doce palavra,/seu instante de febre/sua gula e jejum,(…)"('José')

"No meio do caminho tinha uma pedra". ('No Meio do Caminho')

"Que pode uma criatura senão,/ entre criaturas , amar?" (Claro Enigma)

''Lutar com palavras/ é luta mais vã."('Jose')

Suas obras ganham o mundo, outras línguas. E vastidão de leitores, leituras. Seu poder natural de ofício, a influência criadora na literatura brasileira. Sua prosa e sua poesia, sobretudo.
Admiração: ampla e irrestrita,  de obras e de homem escritor.

'O tempo é a minha matéria,/ o tempo presente, os homens presentes,/ a vida presente."(Sentimento do Mundo)

"Penetra surdamente no reino das palavras./ Lá estão os poemas que esperam ser escritos./ Estão paralisados, mas não há desespero," (A Rosa do Povo)

"Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo, "(Sentimento do Mundo)

Em 17 de agosto de 87, alguns poucos dias após a morte de sua única filha, morre no Rio de Janeiro.

"Mas as coisas findas,/ muito mais que lindas,/ essas ficarão." (Claro Enigma)

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Nós, por aqui, na nossa pracinha virtual, em coro feito de estrondos silenciosos desses breves encontros leitores, fazemos nossa homenagem: reviver Drummond…

Perceba como os versos espalhados, entrecruzados nas palavras que resumem a trajetória, desenham por si só em nosso imaginário o sentir sua vida tão poética! Um pouco de Drummond! Releia cada verso novamente e veja se não nos reencontramos com o poeta que adormece em nossa memória imaginativa!

Mas, como sempre, ando a pensar mil coisas... Uma delas falo aqui. O lugar da escola é lugar de literatura. É sobretudo o lugar de se lidar com a poesia. E, cá entre nós, a verdadeira homenagem a Drummond ,que se transfigura em bem para os nossos alunos, é lidar com a sua poesia. Também de outros  poetas de boa palavra. Sei que muitos já fazem, silenciosamente.  Se puder, conte algo sobre isso que é muito oportuno em tempos de FLIP e de homenagens literárias.  Conte das suas homenagens particulares que por aqui podem ganhar eco.

 

Vou esperando…Quem sabe no ano que vem não estaremos sob os céus de Paraty, nas suas ruas sinuosas, marcando presença para mais um homenageado! Por ora, salve a Flip, que faz do ser escritor e do ser leitor razões para uma festa! E salve o nosso blog, por fazermos festa tão particular, por trazer algo desconhecido ou encantado para se festejar. E salve Drummond!


 

* Vale a pena ver este “O Fazendeiro do Ar”. Drummond ao vivo e em cores!

 

 
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