Professoras escritoras
Acostumadas ao trabalho com o ensino da escrita em sala de aula, três professoras de língua portuguesa que participam da Olimpíada foram além na experiência com a palavra: são escritoras. Aparecida Márcia de Paula Netto, de Lima Duarte (MG), Erika Ribeiro, de Juazeiro (BA) e Marta Reis, de Betim (MG) saltaram da teoria para a prática de enfrentar a página em branco (ou a tela do computador) e nelas construir poemas, contos, histórias infantis ou as próprias memórias. Todas vinculam, de uma forma ou de outra, a atividade de escritoras com aquela que realizam em sala de aula, junto aos seus alunos.
Nas próximas três semanas, conheça um pouco mais sobre o trabalho dessas educadoras. Solicitamos a elas depoimentos em que falam de suas histórias de vida, da formação como leitoras, de seus livros e da experiência de serem professoras escritoras.
A primeira a contar sua história é a baiana Erika Ribeiro, que desde 2010 mantém o blog "Vagalumes, poesia e vida" (http://www.poesiaerikaribeiro.blogspot.com.br). Ela também lançou, de forma independente, um livro com seus poemas. Erika fala das razões de sua escrita, do trabalho com a Olimpíada e conta porque escolheu a profissão.
Alimentar os alunos com poesia
Erika Ribeiro
Comecei a escrever poemas por volta dos 12 anos. Ao invés de diários, colocava os meus sonhos e angústias adolescentes nos versos que escrevia e, por isso, meus primeiros poemas eram bem sentimentais, exalando sempre um desejo de liberdade. Já em 2007 publiquei um livro independente, "Noites e Vagalumes", com a seleção de alguns poemas escritos entre 1992 e 2007. Infelizmente, livro no Brasil ainda é um produto pouco "consumido" e por outro lado os escritores marginais, como eu, encontram uma barreira enorme para publicação e divulgação. Foi por conta desse distanciamento entre escritor e leitor que resolvi publicar meus poemas no blog, já que a Internet é uma excelente ferramenta de exposição e discussão da literatura e de outros temas.
Minha poesia é aflorada sempre que minha alma é tocada, portanto, escrevo sobre aquilo que me instiga, provoca e inquieta os meus sentidos. Às vezes escrevo para esvaziar as dores, expurgar os medos; outras tantas para espalhar o riso, mas também para soar o grito dos esquecidos, em especial do sertanejo que sofre das mazelas naturais e sociais. Por um longo tempo escrevi apenas poemas, mas atualmente tenho também me lançado no universo mágico das narrativas, escrevendo crônicas e produzindo um novo livro de memórias. No entanto, é na poesia que "me compreendo" melhor.
O fato de trabalhar com adolescentes especificamente na área de Língua Portuguesa, fazendo-lhes o poder que as palavras exercem em nossas vidas, embebendo-os com a poesia é um combustível a mais na minha produção. Vejo a docência como um fazer poético, é assim que trabalho. Ao desenvolver as oficinas da Olimpíada, procuro mostrar aos meus alunos que o texto transforma. Primeiro transforma quem escreve e depois o leitor. Costumo levar produções minhas para a sala de aula, especificamente do gênero trabalhado no momento. É uma forma bem eficaz de desmistificar a produção textual. A Olimpíada também transformou a minha própria percepção sobre o que escrevo, pois passei a analisar, e de forma melhor, o que escrevo e creio que tenho melhorado paulatinamente.
Na Olimpíada participei em 2008 com o gênero artigo de opinião, sendo finalista. Em 2010 trabalhei com os gêneros crônica e artigo de opinião, mas sem classificação, porém a maior vitória é sempre ver os alunos envolvidos no trabalho, pesquisando, criando e recriando seus textos. O trabalho desenvolvido pela Olimpíada é de extrema valia, justamente porque não se restringe a um concurso, propiciando uma discussão mais ampla que envolve não só o estudo e a produção do gênero, mas um reconhecimento do espaço em que se vive e a atuação sobre ele.
Tenho participado de concursos e festivais regionais, mas ainda não participei dos grandes concursos. Na verdade, prefiro espalhar meus versos sem pretensão de prêmios, muito embora participar desses festivais seja uma oportunidade de expor meu trabalho e, quem sabe assim, encontrar uma editora disposta a editá-lo.
Atuo como professora desde antes de me licenciar em Letras, sendo esta uma das minhas maiores paixões, além do Direito e da Literatura. Comecei como professora de uma turma multisseriada na zona rural da minha cidade natal, Uauá (BA). Era 1997 e eu, ainda menor de idade, lancei-me no magistério com uma sacola cheia de ideias e muita vontade de mudar aquela realidade. Nos anos seguintes, já professora concursada, trabalhei com Ensino Fundamental e Médio. Embora seja bacharelada em Direito e goste imensamente da área penal, optei por permanecer em sala de aula por mais um tempo, espalhando poesia nas minhas aulas e alimentando a alma dos meus alunos de sonhos. No artigo/depoimento que escrevi há pouco tempo explico o motivo da minha escolha. Ele pode ser acessado na página:
http://www.webartigos.com/artigos/por-que-ser-professor/88230.

Comentários
e desde 2008 participo da Olimpiada, pois acredito nesse projeto como forma de transformar a visão que nossos alunos têm da escrita. Beijos e até apróxima
É bom ensinar a fazer, fazendo.
Parabéns pelo seu trabalho, são professoras como você que fazem do nosso país e especialmente o campo (zona rural) o melhor lugar do mundo para se viver, apesar de tudo que não temos o direito de acesso. Leciono na escola do campo desde o ano de 1989.A sala de aula é o lugar onde podemos transformar a realidade triste que ainda atinge os simples moradores do campo.
Professora, Elisete
Deus a abençoe em sua caminhada cheia de vitórias juntamente com os seus alunos. Eles são os maiores privilegiados por estarem em sua vida e em seu caminho profissional. Um grande beijo, querida.
Sua história deixou-me muito feliz!
Um abraço,
Mariselma Pires - Muaná-Marajó-Pa rá
Abraços
Angela
cordel.
Parabéns Erica, vc é um orgulho para aqueles que primam pela Liateratura. Desejo sucesso em sua caminhada.
desejo muito sucesso em sua vida
Meu nome literário é Maria Maria Gomes, tenho 45 anos e trabalho em uma Escola de Campo. Meus alunos disseram-me, nesta última semana de Olimpíadas de Língua Portuguesa, que nem imaginavam que conseguiriam escrever textos em prosa. E que se inquietaram com o desafio. Eu fiquei tão feliz que, agora, eu tenho certeza que sou importante para mundo.
Meu trabalho está disponibilizado no endereço da Wikipedia sob o nome de nascimento: Maria José Gomes. Sou de Currais Novos, RN.
Saudações poéticas para todos os nossos colegas que sonham com uma Educação que transforme os nossos semelhantes no melhor que eles possam ser.
parabéns, por seu trabalho. Sou uma das escritoras desta série e é bom saber que há mais gente comungando do mesmo sonho.Minha experiência é que os educandos ficam felizes quando descobrem que o professor escreve. Agradeço à equipe da Olimpíada por valorizar nosso trabalho. Um abração para você.Sucessos!
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