Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro

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Em nosso novo teste de conhecimentos literários, separamos trechos de contos fantásticos de autores brasileiros e estrangeiros. Mesmo que não conheça ou não se lembre da história, fique atento ao tema, ao estilo, à linguagem e tente descobrir o autor e a obra.

1. "Corriam no arraial rumores macabros. No dia seguinte ao enterramento o coveiro topou a sepultura remexida, como se fora violada durante a noite; e viu na terra fresca pegadas misteriosas de uma "coisa" que não seria bicho nem gente deste mundo. Já duma feita sucedera caso idêntico por ocasião da morte da Sinhazinha Esteves; mas todos duvidaram da integridade dos miolos do pobre coveiro sarapantado. Esses incréus não mofavam agora do visionário, porque o padre e outras pessoas de boa cabeça, chamadas a testemunhar o fato, confirmavam-no.

Imbuído do ceticismo fácil dos moços da cidade, Eduardo meteu a riso a coisa muita fortidão de espírito.

- A gente da roça duma folha d'embaüva pendurada no barranco faz logo, pelo menos, um lobisomem e três mulas-sem-cabeça. Esse caso do cemitério: um cão vagabundo entrou lá e arranhou a terra. Aí está todo o grande mistério! Cristina objetou: - E os rastos? - Os rastos! Estou a apostar como tais rastos são os do próprio coveiro. O terror impediu-lhe de reconhecer o molde do casco...".

a. Corpo fechado, conto de Sagarana (1946) de Guimarães Rosa.
b. Trata-se de Flor, telefone, moça, conto de Carlos Drummond de Andrade publicado no livro Contos de aprendiz (1951).
c. Trecho de Um enterro, de Graciliano Ramos, publicado em Infância (1945).
d. Bocatorta, conto do livro Urupês (1918) de Monteiro Lobato.

2. "Apoiei a mão esquerda sobre a portada e abri com o dedo polegar quase pegado ao indicador. Tudo foi inútil: sempre se interpunham várias folhas entre a portada e a mão. Era como se brotassem do livro.
- Agora procure o final.
Também fracassei; apenas consegui balbuciar com uma voz que não era minha:
- Isto não pode ser.
Sempre em voz baixa o vendedor de bíblias me disse:
- Não pode ser, mas é. O número de páginas deste livro é exatamente infinito. Nenhuma é a primeira; nenhuma é a última."

a. A mulher que escreveu a Bíblia (1999) de Moacyr Scliar.
b. O livro de areia (1975), do escritor argentino Jorge Luis Borges.
c. O espelho, de J.J. Veiga, conto publicado no livro Objetos Turbulentos: contos para ler à luz do dia (1997).
d. Cais, conto do livro Malhação do Judas Carioca (1975) de João Antônio.

 

3. "Se me levantava para andar, metia-se-me entre as pemas e quase me derrubava, ou então, cravando suas longas e afiadas garras em minha roupa, subia por ela até o meu peito. Nessas ocasiões, embora tivesse ímpetos de matá-lo de um golpe, abstinha-me de fazê-lo devido, em parte, à lembrança de meu crime anterior, mas, sobretudo - apresso-me a confessá-lo - , pelo pavor extremo que o animal me despertava."

a. Pescoço de gatinho preto, publicado no livro Octaedro (1974) do escritor argentino Julio Cortázar.
b. O gato preto (1843), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe.
c. Noite na taverna, de Álvares de Azevedo (1855).
d. A galinha degolada, conto do escritor uruguaio Horácio Quiroga, publicado no livro Contos de amor, de loucura e de morte (1917).

4. "E estava mesmo: agora só tinha vinte e cinco centímetros de altura e seu rosto se iluminou à ideia de que chegara ao tamanho certo para passar pela portinha e chegar àquele jardim encantador. Primeiro, no entanto, esperou alguns minutos para ver se ia encolher ainda mais: a ideia a deixou um pouco nervosa; "pois isso poderia acabar", disse consigo mesma, "me fazendo sumir completamente, como uma vela. Nesse caso, como eu seria?" E tentou imaginar como é a chama de uma vela depois que a vela se apaga, pois não conseguia se lembrar de jamais ter visto tal coisa."

a. Incidente na loja, publicado no livro O vampiro de Curitiba (1965) de Dalton Trevisan.
b. A cartomante (1884), conto de Machado de Assis.
c. Alice no País das Maravilhas (1865), do escritor inglês Lewis Carrol.
d. Vestida de preto, conto de Mario de Andrade publicado em Contos Novos (1947).

5. "Quase sempre, ao tirar o lenço para assoar o nariz, provocava o assombro dos que estavam próximos, sacando um lençol do bolso. Se mexia na gola do paletó, logo aparecia um urubu. Em outras ocasiões, indo amarrar o cordão do sapato, das minhas calças deslizavam cobras. Mulheres e crianças gritavam. Vinham guardas, ajuntavam-se curiosos, um escândalo. Tinha de comparecer à delegacia e ouvir pacientemente da autoridade policial ser proibido soltar serpentes nas vias públicas."

 

a. O ex-mágico da Taberna Minhota, de Murilo Rubião, conto do livro O pirotécnico Zacarias (1974).
b. O agente, conto de Rubem Fonseca, do livro Os prisioneiros (1963).
c. Traje de rigor, de Marcos Rey, incluído no livro O enterro da cafetina (1967).
d. A carne (1888), de Júlio Ribeiro.

 


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Comentários   

 
0 #1 Rosana Aparecida de Toledo Kuratomi 12-03-2013 23:54
Parabéns pelo exelente trabalho desenvolvido. Estou aprendendo muito com vocês. Sou nova no ramo mas procuro sempre inovar e me adaptar a novas metodologias.
 






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